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Cultura prepara programação e resgate da história da Sinfônica


09/10/2012 - 15:12




 Tiago Cida

 

Campinas busca o resgate da importância cultural, artística e histórica de sua orquestra sinfônica municipal, recuperando parte esquecida de sua história, planejando o restante da temporada e buscando aproximar a Sinfônica do cidadão, levando os músicos para concertos em praças e reativando os “Concertos Didáticos” junto às escolas municipais.

 

Serão diversas apresentações até o final de 2012 e um banner com a programação completa da Sinfônica ficará na página inicial do Portal da Prefeitura, (www.campinas.sp.gov.br) podendo ser consultado a qualquer momento tão logo o restante da temporada seja definido e anunciado.

 

A ideia de reconstruir o cenário cultural da cidade passa, inevitavelmente, pelo replanejamento da nossa Orquestra Sinfônica Municipal (OSMC), estabelecendo um calendário pelo menos até o final do ano e consolidando a recuperação da importância artística e histórica desse patrimônio cultural da cidade”, explica a secretária da Pasta, Renata Sunega.

 

Sobre o resgate da importância da família “di Tullio” na concepção e criação da Sinfônica Municipal, a secretária afirma que é um trabalho que estabeleceu como prioridade, como “dívida de gratidão do Poder público municipal para com cidadãos abnegados e comprometidos somente com a cultura na cidade”.

 

A Sinfônica só existe a partir do desejo individual de um cidadão, João di Tullio, em criar aquilo que atualmente é um dos nossos principais patrimônios culturais. Recuperar isso e apresentar à cidade essa história é quase obrigação de quem ocupa o cargo em que estou atualmente”, diz a secretária.

 

Como foi

 

Nesse novo momento da Orquestra, é importante o resgate de parte da história da família “di Tullio” e sua relação com a concepção, criação e desenvolvimento daquilo que se tornaria a Sinfônica de Campinas, surgida realmente a partir da aspiração de um sonhador: João di Tullio, que passou essa paixão aos seus filhos, grandes responsáveis pela criação da Sinfônica.

 

João era alfaiate. Casou-se com Maria Julieta Olivério e teve dez filhos, perdendo um ainda bebê. Julieta, uma mulher de personalidade forte, sustentava numa lucidez incrível o temperamento artístico dos filhos. Os anos a ensinaram que a arte não admite rivais.

 

Quatro dos nove filhos do maestro João dedicaram-se à música: Pompeu, professor primário, tocava violoncelo na orquestra; Mário era pianista, professor e regente; Angelo ficava na percussão e o maestro Luiz de Tullio (o “di” foi substituído pelo “de”), violinista, era regente. Os quatro irmãos deram a vida pela arte musical e foram os grandes pilares da construção da Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas.

 

História musical

 

João di Tullio, italiano, chegou ao Brasil com oito anos e só estudou música quando voltou à Itália para fazer o serviço militar. Ficou seis anos por lá, adquirindo inigualável conhecimento técnico da arte da música, para executá-lo depois em Campinas, onde dedicou-se totalmente à Banda Ítalo-Brasileira, fundada em 1912 e refundada em 1929, já com o nome de Sociedade Sinfônica de Campinas.

 

A banda, grande embrião da OSMC, levava música para as praças, cidades vizinhas, sempre com o empenho de João para conseguir instrumentos novos, além de debruçar sobre partituras pelas madrugadas. Também compunha para seu conjunto e armazenava preciosidades musicais para o acervo da banda, copiando partituras com uma caligrafia impecável. Suas retretas, sempre executadas no jardim Carlos Gomes, eram concertos musicais assistidos por um considerável número de pessoas.

 

Com o falecimento do maestro João di Tullio, em 1946, seus filhos Luiz, Mário e Pompeu, ao lado de Salvador Bóve, assumem o legado do pai até 1953, quando a Sociedade fecha suas portas por falta de recursos financeiros.

 

Já maestro, Luiz monta em 1958 a Orquestra “Maestro João di Tullio”, em homenagem ao pai. Dois anos depois, Luiz foi convidado pelo Monsenhor Salim, então reitor da PUC-Campinas, para montar a Orquestra Sinfônica Universitária em parceria com a instituição. Seus alunos, que cultivavam a música clássica, constituíram grande parte dos primeiros e segundos violinos da orquestra, e era com ela que o maestro Luiz de Tullio – campineiro da gema – buscava seguir o legado da família di Tullio para a cidade.

 

Em 1974, a OSMC passou por um processo de reestruturação, que possibilitou sua atual configuração. Benito Juarez assumiu o cargo de regente titular e diretor artístico, permanecendo no cargo até 2001.

 

De lá pra cá, a OSMC atraiu grandes músicos para os seus quadros, com passagem obrigatória nos principais festivais e eventos eruditos do Brasil e do mundo. Com o objetivo de ampliar sua plateia potencial e difundir a música de qualidade, apresentou-se nos mais variados ambientes, tornando-se conhecida nacionalmente e querida entre músicos e ouvintes.

 

Atualmente, seu Regente Titular e Diretor Artístico é o maestro Victor Hugo Toro. A Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas é mantida pela Prefeitura Municipal de Campinas, por meio da Secretaria Municipal de Cultura.

Crédito: Zeca Filho

Crédito: Zeca Filho

Crédito: Zeca Filho

Crédito: Zeca Filho