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Hospital Mário Gatti comemora 38 anos de serviços à população


13/07/2012 - 15:18




 Juliana Perrenoud

 

Quem chega ao Hospital Municipal Dr. Mário Gatti (HMMG), em Campinas, muitas vezes não imagina a complexidade do local. São 1562 funcionários que se revezam para prestar atendimento à população, ininterruptamente, nos 19 mil metros quadrados de área construída na Avenida Prefeito Faria Lima, no Parque Itália. Neste sábado, 14 de julho, o hospital completa 38 anos de história e de serviços prestados à população.

 

O HMMG atende no regime “portas abertas” (de forma não referenciada), ou seja, funciona 24 horas por dia, atendendo a todos os casos, por demanda espontânea. A entrada dos pacientes se dá de duas formas: pelo chamado Setor Azul, para pessoas que chegam de carro, de ônibus, e para os casos menos graves; ou pelo Setor Vermelho, a ala de urgência e emergência, com capacidade de atender cinco pessoas ao mesmo tempo, que recebe os casos graves trazidos pelo SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), ambulâncias, etc.

 

Os números dos atendimentos impressionam: somente em 2011, foram realizadas 303 mil consultas nos Prontos Socorros Adulto e Infantil, Ambulatório e Oncologia. Para se ter uma ideia, isso representa 27,5% do número de habitantes de Campinas que, de acordo com o censo, possui 1,1 milhão de habitantes.

 

Em 2011, mais de 10 mil pessoas foram internadas e 786 mil exames laboratoriais e de imagem foram realizados. A taxa de ocupação média do último ano ficou em 92%. Isso significa que o hospital esteve praticamente cheio durante todo o ano.

 

No Mário Gatti, são atendidos desde pacientes com necessidade de uma simples medicação, até pessoas que irão realizar complexas cirurgias. No ano passado, 5,6 mil cirurgias foram realizadas, uma média mensal de 466.

 

Recebemos gente do país todo. Fizemos um estudo, em 2010, e constamos que, até então, só dois Estados da Federação não mandaram paciente para cá: Maranhão e Sergipe. Hoje, temos um paciente na oncologia da cidade de Imperatriz, no Maranhão, que está em tratamento contra uma leucemia. Certamente já atendemos também de Sergipe nesse intervalo de tempo”, conta Salvador Affonso Pinheiro, Presidente do Hospital.

 

A ala de internação possui 240 leitos, divididos em quatro andares de hotelaria. No primeiro andar, são atendidos casos de neurologia, neurocirurgia e ortopedia e pacientes de UTI Adulta. No segundo andar do prédio, estão os de clínicas cirúrgicas e especialidades (cirurgia geral, cirurgia vascular, urológica, plástica, oncologia, toráxica, bucomaxilofacial). O terceiro tem pacientes de clínica médica e especialidades (moléstias infecciosas e parasitárias, cardiologia, pneumologia, endocrinologia). No quarto andar estão as crianças da pediatria e da UTI Pediátrica.

 

No térreo, ao lado dos Setores Azul e Vermelho estão os setores Verde e Amarelo. “Após prestar o primeiro atendimento aos pacientes graves (Setor Vermelho), sempre com objetivo de afastar o risco de morte iminente, eles são encaminhados para tratamento clínico, cirúrgico, observação ou alta. O paciente crítico que necessita de cuidados intensivos clínicos, pode ser direcionado para a área Amarela, que possui 11 leitos, até o seu encaminhamento para outra unidade de internação”, detalha o coordenador do PS, Reginaldo Ribas de Alcântara.

 

A área Verde é destinada à permanência de pacientes não críticos, para observação ou internação clínica ou cirúrgica, tem capacidade de 10 leitos masculinos, oito leitos femininos e um isolamento. Ali também ficam as salas de sutura e pequenos procedimentos, como curativos e drenagem de abcessos.

 

Os atendimentos são por ordem de prioridade. Isso significa que alguém que esteja tendo uma convulsão ou um infarto terá socorro antes de alguém com cólica renal, independente da ordem de chegada”, explica Alcântara.

 

As crianças são atendidas em uma área separada, no Pronto Socorro Infantil. “Essa medida visa proteger os pequenos e evita expô-los às situações de pacientes adultos graves, que podem chegar com grandes ferimentos ao hospital”, conta Wilson Norato da Silva, diretor Técnico do Mário Gatti.

 

Do outro lado da rua, está o Ambulatório de Especialidades, que atende Clínica Médica, Cirurgia Cardíaca, Clínica da Dor, Dermatologia, Endocrinologia, Geriatria, Fisioterapia, Nefrologia, Neurologia. Ali também funciona um local para a coleta de sangue administrado pela Unicamp, com cerca de 40 doações diárias.

 

O Centro de Atenção Integral em Oncologia atende portadores de câncer nas áreas de radioterapia e quimioterapia. Lá, o paciente encontra os serviços Oncologia Clínica, Oncologia Cirúrgica Cirurgia Cabeça e Pescoço, Radioterapia, Dor Oncológica Psicologia, Nutrição, Serviço Social, que levam em consideração a melhora na autoestima dos pacientes e minimização do tempo de espera nas dependências do Centro. Lá são feitas mais de 2.300 aplicações de radioterapia por mês.


Para o bom funcionamento do hospital, todas as áreas são fundamentais. A lavanderia precisa entregar a roupa de cama limpa, para que a enfermagem das alas possa preparar os leitos que recebem os que forem internados.

 

Durante a realização de uma cirurgia, os instrumentos a serem usados devem estar esterilizados, o paciente deve estar corretamente medicado, a sala deve estar limpa, os exames dentro do prontuário. “É como uma orquestra composta por centenas de instrumentos, que deve ser regida pelos gestores para que a música não desafine”, compara Pinheiro.

 

Alimentação e descarte consciente

 

A alimentação dos pacientes também é pensada para ajudar na recuperação. “Temos uma dieta balanceada e ótimos cozinheiros, que preparam as refeições, cafés, lanches da tarde, tudo para auxiliar no tratamento e bem- estar”, conta Maria Camila Abramides Prada, coordenadora da Nutrição.

 

Durante um ano, são servidas, em média, 15,6 toneladas de carnes para pacientes e acompanhantes, 6,3 toneladas de arroz, três toneladas de feijão, 22 mil litros de sopa.

 

A lavanderia é responsável por manter limpos e desinfetados roupas de cama, banho, travesseiros, aventais. São por volta de 1,6 tonelada lavadas diariamente, 584 mil toneladas em um ano.

 

A preocupação com o meio ambiente e o correto descarte de materiais infectantes também fazem parte das diretrizes. São, em média, 18 toneladas de lixo hospitalar por mês, coletados pela Prefeitura e levados para desinfecção em um equipamento especial. Além desse material, também são separados o lixo comum (cerca de 10 toneladas), do reciclável.

 

O material reciclável é vendido pelo grupo de voluntários da Associação de Voluntários do Mário Gatti (Avomag) e o valor adquirido é revertido em benefícios para os pacientes, com compra de cadeiras de rodas, colares cervicais, muletas, andadores”, conta a coordenadora de Manutenção, Daniela Cochiolito Pilon.

 

Doutor Mário Gatti

 

O nome do maior hospital público da Região Metropolitana de Campinas vem do médico ítalo-brasileiro, Mário Gatti, que exerceu a profissão na primeira metade do século 20.

 

O médico Mário Gatti nasceu em Nápoles, na Itália, em 1879, e conheceu Campinas em 1905, quando tinha 26 anos. Muitos acreditam que ele desembarcou no município para exercer sua profissão, mas na verdade Mário veio à cidade para se casar com Francisca de Marco Gatti.

 

O renomado médico italiano ostentava vários cursos pela Europa. Mas foi no Brasil que Mário Gatti se formou em medicina, na Bahia, e que iniciou em sua carreira quando começou a atuar na Beneficência Portuguesa campineira. Depois, de alguns anos estudando em Paris, retornou para Campinas, em 1915, onde fixou residência.

 

O médico sempre colocava Campinas como a cidade do coração. “É o meu segundo berço, o mais importante cenário de minha humilde existência. Foi neste pedaço de paraíso que iniciei a minha carreira profissional. A eterna primavera de seu clima ameno, a bondade e a simplicidade dos seus filhos empolgaram a minha juventude”, disse à época.

 

Mesmo com idade avançada, mais de 70 anos, Mário Gatti ajudou as vítimas do acidente que levou ao desabamento o Cine Rink, na década de 50. Este foi o Doutor Mário Gatti que dedicou sua carreira à salvar vidas. Em fevereiro de 1976, o município homenageou com o nome: Hospital Municipal Dr. Mário Gatti.

 

Doutor Mário Gatti faleceu às 10h do dia 4 de março de 1964 e havia deixado os filhos Theodora Gatti Pagano Brando, Attilia Gatti Guedes de Melo e Roque de Marco Gatti, além de netos e bisnetos. Mário Gatti era filho de Lelio Gatti e Attilia Tumolo Gatti.